Pular para o conteúdo principal
Blog

Descumprimento de contrato: veja os tipos, consequências e o que fazer

Author Bruno Peixoto
Bruno PeixotoLegal Associate LATAM
•

Resumo•Leitura de 13 min

Entenda os tipos de descumprimento de contrato, suas consequências legais, o que fazer e como a Docusign ajuda a prevenir riscos com seus acordos.

4 Ways to Improve Your Customer Experience with Digital Agreements

O descumprimento de contrato acontece quando uma das partes deixa de cumprir, no todo ou em parte, uma obrigação que havia assumido.O fornecedor que atrasa a entrega, o cliente que não paga na data, a empresa que não presta o serviço no padrão combinado, entre outros casos. É um dos temas mais frequentes em disputas comerciais, e parte dos casos poderia ser evitada com acompanhamento próximo dos prazos e das cláusulas.

Este guia explica os tipos de descumprimento, as principais obrigações contratuais, as consequências previstas em lei, o que fazer para se proteger e como manter visibilidade sobre o que foi acordado antes que o problema aconteça.

Faça um teste gratuito da Docusign por 30 diasComece agora

O que é descumprimento de contrato?

Descumprimento de contrato é a falha de uma parte em cumprir, total ou parcialmente, uma obrigação contratual, seja por ação ou por omissão. Também chamado de inadimplemento contratual ou quebra de contrato, ocorre quando o que foi prometido não é entregue, é entregue com atraso ou fora das condições acordadas.

O descumprimento não se confunde com a simples renegociação. Quando as duas partes concordam em alterar prazos ou valores, há um novo ajuste. O inadimplemento aparece quando uma delas deixa de cumprir sem o consentimento da outra, expondo-a a prejuízo.

Segundo o Código Civil, no art. 389, "não cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos, mais juros e atualização monetária [...] e honorários de advogado". Ou seja, o descumprimento gera responsabilidade mesmo sem cláusula específica prevendo isso.

Quais são os tipos de descumprimento de contrato?

O Direito brasileiro separa o inadimplemento em duas categorias principais, conforme a obrigação ainda possa ou não ser cumprida de forma útil, e reconhece ainda uma hipótese ligada à qualidade da prestação. A distinção define quais medidas cabem em cada caso.

Na mora, o devedor responde pelos prejuízos causados pelo atraso, conforme o art. 395. No inadimplemento absoluto, a discussão passa a ser sobre desfazer o contrato e reparar o dano.

Principais obrigações contratuais

Entender que tipo de obrigação foi assumida ajuda a identificar quando ela foi descumprida. O Código Civil, nos arts. 233 a 285, classifica as obrigações da seguinte forma. 

  • Obrigação de dar: entregar algo, como uma mercadoria (dar coisa certa) ou uma quantidade a ser definida por gênero e quantidade (dar coisa incerta).

  • Obrigação de fazer: executar uma tarefa ou prestar um serviço, como desenvolver um sistema ou realizar uma consultoria.

  • Obrigação de não fazer: abster-se de uma conduta, como não concorrer em determinada região ou não divulgar informação confidencial.

  • Obrigação alternativa: o devedor cumpre entregando uma entre duas ou mais prestações previstas, e a escolha cabe a quem o contrato indicar.

  • Obrigação divisível ou indivisível: pode ou não ser fracionada entre vários credores ou devedores sem perder a natureza.

  • Obrigação solidária: cada credor pode cobrar a dívida toda, ou cada devedor pode ser cobrado por ela integralmente, quando a lei ou o contrato assim estabelecem.

Cada categoria tem regras próprias sobre como o cumprimento é exigido e o que caracteriza o descumprimento.

Quais as causas mais comuns de inadimplemento contratual?

O inadimplemento raramente decorre de má-fé pura. Com frequência, nasce de falhas de gestão que se acumulam ao longo da vigência do contrato. As causas mais comuns são:

  • dificuldades financeiras da parte devedora, que comprometem pagamentos e entregas;

  • falta de visibilidade sobre prazos e cláusulas, quando as obrigações ficam presas em contratos dispersos e ninguém acompanha o vencimento;

  • falhas de comunicação entre áreas ou entre as partes, que levam a expectativas desalinhadas sobre escopo e datas;

  • mudança de cenário econômico ou operacional, que torna as condições originais mais difíceis de sustentar;

  • eventos imprevisíveis, como caso fortuito e força maior, tratados no art. 393 do Código Civil, que afastam a responsabilidade do devedor quando ele não se obrigou expressamente por eles.

A segunda causa é a mais evitável: falta de visibilidade sobre prazos e cláusulas. Quando a empresa sabe exatamente o que deve, para quem e até quando, o risco de descumprir por descuido cai de forma expressiva.

Quais as consequências do descumprimento de contrato?

O descumprimento de contrato pode gerar, isolada ou cumulativamente, as seguintes consequências.

  • Perdas e danos, para recompor o prejuízo sofrido pela parte lesada, nos termos do art. 389 do Código Civil.

  • Juros de mora e atualização monetária sobre os valores em atraso.

  • Cláusula penal, quando prevista no contrato, com valor prefixado a título de multa.

  • Resolução do contrato, quando a parte lesada opta por desfazer o vínculo em vez de exigir o cumprimento, o que costuma abrir caminho para a rescisão contratual e a devolução das partes ao estado anterior.

  • Execução específica, quando ainda é possível e do interesse do credor obter exatamente o que foi contratado.

O art. 475 do Código Civil resume a escolha da parte lesada: ela "pode pedir a resolução do contrato, se não preferir exigir-lhe o cumprimento, cabendo, em qualquer dos casos, indenização por perdas e danos". As duas vias não se somam: escolhe-se uma ou outra.

Cabe indenização por dano moral em caso de quebra de contrato?

Em regra, não. O Superior Tribunal de Justiça tem entendimento consolidado de que o simples inadimplemento contratual não gera dano moral automático, por ser considerado um aborrecimento comum da vida em sociedade.

A indenização por dano moral só cabe quando se comprova, além do descumprimento, uma lesão efetiva a direitos da personalidade, como a honra ou a dignidade da parte. O transtorno de um atraso ou de um cancelamento, por si só, não preenche esse requisito.

O que é a exceção de contrato não cumprido?

A exceção de contrato não cumprido é o direito de uma parte suspender sua obrigação enquanto a outra não cumpre a dela, nos contratos em que as prestações são recíprocas. O art. 476 do Código Civil determina que, "nos contratos bilaterais, nenhum dos contratantes, antes de cumprida a sua obrigação, pode exigir o implemento da do outro".

Na prática, funciona assim: uma empresa contrata um fornecedor para entregar equipamentos com pagamento na entrega. Se o fornecedor não entrega, a empresa pode recusar o pagamento sem que isso a coloque em situação de inadimplência. A recusa é legítima e dura até o outro lado cumprir a parte dele.

Essa defesa se apoia na boa-fé e no equilíbrio do contrato. Ela não desfaz o acordo, apenas trava a exigência de uma parte enquanto a outra está em falta.

O que fazer para se proteger em caso de descumprimento de contrato?

A proteção contra o descumprimento começa antes de ele acontecer, na forma como o contrato é redigido e acompanhado. As medidas mais eficazes são:

  • prever cláusulas contratuais de proteção claras, como multa por atraso, prazo para regularização, condições de rescisão e definição do foro;

  • documentar toda a execução do contrato, registrando entregas, aprovações, comunicações e alterações ao longo da vigência;

  • notificar a outra parte por via extrajudicial assim que o descumprimento se configura, concedendo prazo para a correção antes de recorrer à Justiça;

  • reunir provas do prejuízo, já que perdas e danos dependem de demonstração do dano efetivo;

  • acompanhar prazos e obrigações de forma centralizada, para identificar riscos enquanto ainda há tempo de agir.

Atenção: este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um profissional da advocacia para o caso concreto. Prazos, multas e consequências variam conforme o tipo de contrato, o regime jurídico aplicável e as circunstâncias de cada situação.

Prazos e cuidados importantes aplicáveis à responsabilidade contratual

A pretensão de reparação por descumprimento de contrato tem prazo para ser levada à Justiça. O Superior Tribunal de Justiça firmou, no julgamento do EREsp 1.280.825/RJ, que a responsabilidade contratual segue o prazo geral de prescrição de 10 anos do art. 205 do Código Civil, enquanto a responsabilidade extracontratual segue o prazo de três anos do art. 206, § 3º, inciso V.

Alguns pontos merecem cuidado.

  • Termo inicial: a contagem começa quando o direito é violado, isto é, quando o descumprimento se configura.

  • Prazos específicos: determinadas pretensões têm prazos menores previstos no art. 206, o que exige verificar a natureza exata do pedido.

  • Notificação extrajudicial: antes da ação, a parte pode notificar a outra para constituí-la em mora, quando a obrigação não tem data certa, conforme o art. 397, e para registrar formalmente a cobrança.

  • Suspensão e interrupção: protestos, reconhecimentos de dívida e outros atos podem interferir na contagem do prazo.

Como monitorar prazos e obrigações contratuais para agir antes que um descumprimento aconteça?

Grande parte dos descumprimentos é involuntária: a obrigação existe, mas ninguém a acompanhou. Quando os contratos ficam em pastas de e-mail, drives e gavetas, obrigações de fazer, marcos de pagamento, prazos de renovação e limites de responsabilidade deixam de ser visíveis para quem precisaria agir sobre eles.

A forma de mitigar esse risco é tratar o contrato não como um arquivo estático, mas como um conjunto de dados que pode ser consultado e monitorado. Uma gestão inteligente de acordos dá visibilidade em tempo real sobre o que cada contrato exige e quando, permitindo antecipar cobranças, renegociações e renovações.

É esse acompanhamento contínuo que separa a empresa que reage a um processo judicial da empresa que percebe o risco semanas antes e resolve a questão por conversa. Recursos de contract intelligence existem para tornar essa visão possível em escala, aplicando análise de dados sobre toda a base de acordos.

Previna o descumprimento de contrato com a Docusign

Depois de assinado, o contrato costuma sair do radar. A Docusign — que atende desde PMEs até grandes corporações no Brasil — possui um recurso, o Docusign Agreement Manager, que ajuda justamente nessa etapa do ciclo de vida do acordo.

Parte da plataforma Docusign IAM, o Agreement Manager centraliza contratos assinados e históricos em um repositório único e pesquisável. Sobre essa base, a extração assistida por IA da plataforma (com o motor Docusign Iris) lê cada acordo e organiza automaticamente informações como partes envolvidas, valores, datas, cláusulas de renovação e de rescisão e obrigações. Com as extrações personalizadas, sua empresa define um termo próprio, aponta alguns contratos de exemplo e a IA passa a localizar aquela cláusula em toda a base.

O resultado é visibilidade sobre o que antes ficava perdido. A equipe jurídica encontra rapidamente todos os contratos com determinada obrigação, acompanha prazos críticos e age antes que um compromisso seja descumprido por falta de acompanhamento. 

Solicite uma demonstração do Docusign IAMFale com nossos especialistas

Sobre a Docusign no Brasil 

Pioneira e líder mundial em assinatura eletrônica e gestão inteligente de contratos, a Docusign atende de PMEs a grandes corporações no Brasil. Com a plataforma Docusign IAM e o motor de IA Docusign Iris, conectamos todo o ciclo do acordo com máxima eficiência. Nossa operação local oferece envio de contratos via WhatsApp, suporte técnico em português e total conformidade com a legislação brasileira (MP 2.200-2/2001, Lei 14.063/2020 e LGPD), ICP-Brasil e Registro Civil. 

Para o seu negócio: Previna o descumprimento de contratos e monitore obrigações em tempo real com total conformidade e governança. Faça um teste gratuito da plataforma Docusign por 30 dias.

Perguntas frequentes sobre descumprimento de contrato

O que caracteriza o descumprimento contratual?

Caracteriza-se pelo não cumprimento, total ou parcial, de uma obrigação assumida em contrato, por ação ou omissão de uma das partes. Inclui a falta de entrega, o atraso e a entrega fora das condições acordadas. Pelo art. 389 do Código Civil, o inadimplemento gera responsabilidade por perdas e danos, juros e correção.

O que diz o artigo 475 do Código Civil sobre descumprimento de contrato?

O art. 475 estabelece que a parte lesada pelo inadimplemento pode pedir a resolução do contrato, se não preferir exigir o seu cumprimento, e que, em qualquer das opções, cabe indenização por perdas e danos. As duas alternativas não são cumulativas: a parte escolhe desfazer o contrato ou mantê-lo e cobrar a obrigação.

O que diz o artigo 408 do Código Civil sobre mora?

O art. 408 dispõe que o devedor incorre de pleno direito na cláusula penal quando, de forma culposa, deixa de cumprir a obrigação ou se constitui em mora. Na prática, uma vez configurado o atraso culposo, a multa prevista no contrato passa a ser exigível sem necessidade de nova comprovação.

Qual o valor máximo da multa por descumprimento de contrato?

Depende do tipo de contrato. Em relações de consumo, a multa de mora não pode passar de 2% do valor da prestação, conforme o art. 52, §1º, do Código de Defesa do Consumidor. Em contratos civis e empresariais, a cláusula penal não pode exceder o valor da obrigação principal, segundo o art. 412 do Código Civil, e o juiz pode reduzi-la se for manifestamente excessiva.

Posso rescindir um contrato por descumprimento da outra parte?

Sim. O art. 475 do Código Civil autoriza a parte lesada a pedir a resolução do contrato diante do inadimplemento da outra, com direito a perdas e danos. Quando o contrato tem cláusula resolutiva expressa, o desfazimento pode operar de forma mais direta; sem ela, costuma depender de decisão judicial.

O que fazer antes de entrar com ação judicial por inadimplemento contratual?

O caminho usual é enviar uma notificação extrajudicial à outra parte, apontando o descumprimento e concedendo prazo para a regularização. Esse passo constitui o devedor em mora quando não há data certa, documenta a tentativa de solução e, muitas vezes, resolve a questão sem processo.

Inadimplemento contratual sempre gera multa?

Não. A multa depende de cláusula penal prevista no contrato. Sem essa cláusula, a parte lesada pode buscar perdas e danos, mas precisa comprovar o prejuízo efetivo. Juros de mora e atualização monetária, por outro lado, incidem sobre valores em atraso, independentemente de previsão.

Quais cláusulas de proteção reduzem o risco de descumprimento em contratos de fornecimento?

Cláusulas de multa por atraso, prazo de cura antes da rescisão, níveis de serviço com indicadores objetivos, garantias, definição de foro e regras claras sobre caso fortuito e força maior. Manter esses termos visíveis e monitorados em uma plataforma de gestão de acordos, como a Docusign — que atende desde PMEs até grandes corporações no Brasil — ajuda a agir antes que o descumprimento se concretize.

Author Bruno Peixoto
Bruno PeixotoLegal Associate LATAM

Advogado da Docusign para Brasil e HLA. Após anos de experiência em leading companies no setor de tecnologia com atuação em negociações de contratos, proteção de dados e cibersegurança, hoje aplico essa experiência para apoiar a Docusign em diversas frentes na evolução de seus negócios.

Mais publicações deste autor

Publicações relacionadas

  • Noções básicas sobre acordos

    Manifesto de assinatura digital: o que é, para que serve e como emitir

    Author Leticia Sabbag
    Leticia Sabbag
    Software de Assinatura Eletrônica

Docusign IAM é a plataforma de acordos que sua empresa precisa para o sucesso

Experimente grátisConheça o Docusign IAM
Pessoa sorrindo durante uma apresentação