C Law Experience 2026: as principais tendências de IA no jurídico corporativo
Da automação à governança cognitiva: veja as principais tendências do mercado jurídico corporativo debatidas no C Law Experience 2026.

"Não vamos ser substituídos pela inteligência artificial. Nós já fomos." A declaração dada pelo representante da DHL foi uma das provocações que marcaram o C Law Experience 2026 se abre en una nueva pestaña, evento que reuniu em São Paulo, no fim de maio, C-levels e heads jurídicos das maiores empresas do Brasil para discutir o futuro do setor. Como uma das principais patrocinadoras do encontro, acompanhamos de perto as discussões e preparamos este resumo.
Nos últimos anos, um dos principais temores de profissionais da área jurídica — e de tantas outras profissões — tem sido o de perder seus empregos para a Inteligência Artificial. Mas e se a realidade for que a IA já substituiu os advogados?
A fala da DHL gerou surpresa na plateia, mas o contexto veio logo em seguida. A tecnologia assumiu o "pedaço chato" e de menor valor agregado do trabalho do advogado. E ter essa função operacional substituída é o que permite ao profissional evoluir, crescer e passar a atuar de forma mais estratégica.
É uma "substituição de função, não da profissão", reforçou a Gerdau. Como o robô já faz a compilação clássica de informações de forma muito melhor que o ser humano, a habilidade exigida agora é saber "conectar os pontos", reconhecer padrões e definir planos de ação com base nessas informações, em vez de apenas buscá-las.
Essa foi uma das principais tendências do mercado jurídico apontadas durante o C Law: passada a fase do hype da IA, que gerou entusiasmo e temor na mesma medida, o momento é de maturidade pragmática. Saiba mais sobre esse e outros destaques do que foi debatido durante o evento.
A transição da eficiência operacional para a qualidade da decisão
A revolução da IA no mercado jurídico já não é mais uma corrida pela automação de tarefas; o passo atual é usar a tecnologia como aliada para tomar decisões de qualidade. Quem chancelou essa premissa foi o ex-ministro e ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso. Ao expor a realidade de juízes que precisam analisar dezenas de processos diariamente, Barroso foi categórico: sem tecnologia, ou julga-se sem qualidade, ou terceiriza-se a decisão.
O STF adotou robôs para acelerar fluxos e processar grandes volumes de dados, garantindo que o magistrado foque no que importa. O grande insight deixado pelo ex-ministro é que a IA atua como uma conselheira estratégica: ela só entrega conexões valiosas se o profissional já dominar profundamente o assunto. Caso contrário, pode guiar o usuário por caminhos errados.
Ex-presidente do STF Luís Roberto Barroso no C Law Experience 2026
Essa mesma transição — do ganho de velocidade para o aumento da capacidade analítica — dita o ritmo das grandes corporações. O IGA Itaú Gestão de Ativos, por exemplo, superou a visão da IA como um simples assistente operacional e instituiu o conceito de uma "cerca segura". Essa infraestrutura de governança democratiza o acesso à tecnologia com controle de dados, permitindo que os próprios advogados da base atuem como desenvolvedores de soluções para as dores da operação.
A Amazon trouxe a tese das decisões de "mão dupla" (two-way doors). A premissa é que cerca de 70% das decisões de uma companhia são facilmente reversíveis, o que permite assumir riscos calculados no uso de agentes autônomos. Assim, o talento humano é liberado para focar exclusivamente nas escolhas irreversíveis e de alto impacto.
Na mesma linha, a Vivo já automatiza 80% da triagem inicial de processos judiciais e foca agora em usar os agentes autônomos para elevar a qualidade da construção de teses e subsídios para as defesas. Para garantir que essa eficiência não atropele a segurança, a operação estabeleceu três pilares inegociáveis de governança: supervisão humana contínua, curadoria rígida da base de dados e explicabilidade (explainability), assegurando que a máquina sempre consiga justificar a trilha lógica que utilizou para chegar a uma resposta.
O novo perfil do advogado: de ‘galo de briga’ a construtor de soluções
Historicamente, as faculdades de Direito formaram profissionais com foco quase exclusivo no litígio e no embate. Como pontuou a Rumo Logística, os advogados foram moldados pelo mercado tradicional para atuar como "galos de briga", perfil que tem perdido espaço nas grandes corporações.
O mercado demanda um negociador estratégico que equilibre empatia e assertividade nas negociações empresariais. Essa transição exige abandonar a fama do Jurídico como o 'departamento do não' e adotar a mentalidade da 'construção do sim', como apontou o C6 Bank. Essa visão foi reforçada por Ambev e Carrefour, que defenderam o advogado que identifica riscos e desenha caminhos viáveis como o verdadeiro parceiro de negócios.
Na prática, quando esse perfil analítico e empático se volta para fora da empresa, o departamento jurídico transcende a defesa de teses e torna-se um poderoso motor de Customer Experience (CX). O case da Bauducco ilustra essa virada.
O projeto “Bauducco Concilia” instituiu o "jurídico que abraça", internalizando o contencioso para aplicar a escuta ativa nas demandas dos clientes. Ao ouvir o consumidor, o time legal da Bauducco passou a mapear as falhas operacionais e a retroalimentar ativamente as áreas de logística, qualidade e o SAC. Essa postura preventiva resolve o problema na sua causa raiz e impede que a insatisfação escale para a judicialização, blindando a reputação corporativa.
A nova fronteira da governança jurídica
A próxima grande fronteira não é apenas o que a IA pode redigir, mas quem tem acesso ao modo como a sua empresa pensa. Em uma provocação incisiva, Alexandre Colares, ex-secretário da AGU (Advocacia-Geral da União), cravou o termo "governança cognitiva": o movimento urgente para que as corporações blindem a sua própria cognição.
Atualmente, ao pulverizar o uso de IAs públicas sem controle, as organizações estão entregando o seu conhecimento estratégico de graça aos algoritmos. A vantagem competitiva do futuro dependerá de estruturar bases de dados proprietárias, garantindo que apenas os agentes internos bebam dessa inteligência institucional.
Alexandre Colares, ex-secretário da AGU (Advocacia-Geral da União), no C Law Experience 2026
No entanto, blindar a própria casa não é suficiente quando o risco operacional está terceirizado. É aqui que entra o case do Banco Safra e sua"governança estendida". A instituição já trabalha em políticas para auditar os escritórios de advocacia parceiros. Como o escritório atua como procurador da marca, ele não pode adotar um padrão de segurança tecnológica inferior ao do seu contratante.
Para os líderes de LegalOps, isso significa que a contratação de fornecedores jurídicos passa a exigir a comprovação de letramento digital e controle rigoroso sobre os dados inseridos nos modelos de linguagem.
Dessa forma, o jurídico de alta performance atua agora não apenas como o guardião central dos contratos, mas também da segurança cognitiva de toda a operação conectada.
O horizonte além da IA genérica: foresight e linguagem natural
O futuro das operações jurídicas de alta performance aponta a adoção de tecnologias maleáveis moldadas pela própria voz do advogado e não mais de sistemas genéricos de prateleira.
A IBM apostou em uma quebra de paradigma histórica: a linguagem humana avança rapidamente para substituir a programação tradicional, viabilizando a "hiperpersonalização de funcionalidades". Nesse contexto, o profissional jurídico dialoga com a máquina para criar fluxos e recursos sob demanda, democratizando o desenvolvimento tecnológico sem a necessidade de desenvolvedores intermediários.
Essa autonomia para construir soluções ganha proporções ainda maiores quando somada ao poder da computação quântica na antecipação de riscos. A Embraer ilustrou essa revolução com a metáfora do labirinto: enquanto a computação atual resolve problemas batendo nas paredes por "tentativa e erro" em alta velocidade, a tecnologia quântica atua como um drone olhando o labirinto de cima, enxergando o caminho instantaneamente.
Ao aplicar esse "foresight quântico", os departamentos jurídicos poderão prever cenários e mapear tendências com décadas de antecedência, atingindo níveis de precisão similares aos de uma previsão do tempo. O jurídico deixa de reagir a litígios e passa a atuar de forma preditiva, influenciando o futuro do mercado para blindar o negócio.
Contudo, essa hiperautomação traz alertas sobre a governança e o papel dos líderes. A Microsoft destacou a urgência de estabelecer fortes "guard rails" para garantir que as decisões de negócios não percam sua bússola ética. A orientação da Embraer é cirúrgica: delegue para os algoritmos todo o "trabalho desumano" de compilação, mas mantenha inegociável a tomada de decisão — que exige intuição e senso crítico — estritamente do lado humano.
Inteligência estratégica com o Docusign IAM
Uma das grandes lições trazidas pelo C Law Experience 2026 é que o sucesso do jurídico moderno não se mede mais pela velocidade com que ele empilha PDFs, mas pela capacidade de transformar o risco contratual em inteligência estratégica.
O Docusign IAM (Intelligent Agreement Management) foi desenvolvido exatamente para isso. A plataforma foi desenhada para conectar e automatizar todo o ciclo de vida dos contratos, permitindo que o departamento jurídico deixe de ser um executor de tarefas operacionais e assuma o papel de parceiro de negócios.
Na prática, a plataforma permite:
Padronizar e mitigar riscos antes da assinatura: Sua equipe passa a revisar minutas diretamente no Word com o suporte da IA proprietáriada Docusign (Iris) que cruza o texto automaticamente com os manuais de regras da empresa (playbooks), sinalizando inconsistências e sugerindo alterações instantaneamente.
Centralizar e automatizar fluxos: Acaba o vai-e-vem de e-mails. O sistema centraliza todas as solicitações de contratos das áreas de negócios em um único hub colaborativo e automatiza as alçadas de aprovação, dando visibilidade total de onde o processo está parado.
Garantir conformidade e blindagem jurídica: Do fluxo de assinatura à verificação de identidade, a plataforma assegura que cada etapa esteja em conformidade com os padrões globais de segurança — incluindo assinaturas qualificadas ICP-Brasil e certificação ISO 27001.
Eliminar o "limbo" dos arquivos mortos com IA especializada: Por meio de um repositório central inteligente, a tecnologia extrai e estrutura os dados de todo o portfólio de contratos da empresa. Esse processo é alimentado pela Docusign Iris, inteligência artificial proprietária treinada especificamente com dados de contratos e em conformidade com rigorosos padrões de segurança. Por não utilizar modelos genéricos, ela garante a precisão necessária para extrair termos, prever renovações e identificar riscos contratuais em segundos, sem as alucinações comuns do mercado.
O Docusign IAM devolve o tempo da sua equipe para focar no que realmente importa: a tomada de decisões de alta qualidade que protegem e impulsionam o crescimento da companhia.
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