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Tendências da Fenalaw 2026: ROI da IA, Reforma Tributária e contratos vivos

Author Fabiana Maranhão
Fabiana MaranhãoEspecialista em Marketing de Conteúdo e Cliente
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Resumo•Leitura de 8 min

A Fenalaw 2026 trocou a euforia com a IA por perguntas sobre ROI e governança e levou a Reforma Tributária para dentro da base de contratos das empresas.

A fase de deslumbramento com a inteligência artificial ficou para trás. Acompanhamos cerca de 20 painéis e palestras ao longo dos três dias da Fenalaw 2026 se abre en una nueva pestaña, em São Paulo, e ninguém apostou em uma solução mágica. A feira é o maior evento de inovação, gestão e tecnologia jurídica da América Latina.

O debate sobre IA na Fenalaw girou em torno de ROI (Return on Investment ou Retorno sobre Investimento), governança e responsabilidade. A Reforma Tributária, por sua vez, deixou de ser assunto exclusivo dos tributaristas e chegou à gestão de contratos. Selecionamos as três principais tendências da Fenalaw 2026 observadas nos debates do evento.

IA: do deslumbramento ao ROI e à governança

A pergunta deixou de ser “o que a IA faz” e passou a ser “o que ela devolve”. Pesquisa apresentada durante o evento pelo Centro de Ensino e Pesquisa em Inovação (CEPI) da FGV Direito SP mostra que 74% dos entrevistados têm dificuldade em medir objetivamente o ROI da IA se abre en una nueva pestaña. Sobre o tema, uma liderança da empresa Alpargatas propôs olhar o ROI em três níveis:

  • Individual: ganho de tempo, agilidade e menos erros nas entregas de cada profissional.

  • Processo: revisão e redução de etapas intermediárias, como aprovações desnecessárias em contratos.

  • Negócio: mudança no modelo de operação, como, por exemplo, na gestão global de fornecedores.

A ferramenta, sozinha, não entrega retorno. Em um painel com representantes da Microsoft, Mercedes-Benz do Brasil, Super Tech e Uber, foi dito que usar a IA para acelerar um fluxo que já é ineficiente apenas potencializa o problema. 

O ponto de partida deve ser mapear processos, organizar a base de dados e definir uma linha de base (baseline) e indicadores antes de automatizar. A executiva da Alpargatas apontou um outro descompasso: o orçamento costuma ir para licenças, e pouco sobra para treinar pessoas.

A governança vem no mesmo pacote. Em um painel com Natura, Sabesp, Mercado Livre e os escritórios Pinheiro Neto, Trench Rossi Watanabe e Mattos Filho, o debate passou pela inclusão da IA na matriz de riscos, com atenção à reputação e à privacidade de dados, e pela exigência de cláusulas de uso ético de IA nos contratos com escritórios externos. 

A pesquisa do CEPI FGV Direito SP identificou no uso individual de ferramentas não homologadas, o chamado Shadow AI, uma fonte de vulnerabilidade institucional e defendeu a revisão humana, integral ou por amostragem.

O ganho mais concreto aparece na divisão do trabalho. A IA assume o que é repetitivo, e o advogado volta a ser advogado: entende a estratégia do negócio, interpreta, negocia e constrói relações de confiança. 

No entanto, a representante do GHBP Advogados e Nau d’Des lembrou que o raciocínio jurídico depende de repertório e de escolhas humanas, e que quem aceita respostas prontas sem questionar perde a capacidade de enxergar erros. 

Em um painel que reuniu representantes do Felsberg Advogados, Agrícola Famosa e especialistas do setor, debateu-se que o custo do erro continua alto e que o pensamento crítico virou diferencial, sobretudo para quem está começando, já que as tarefas tradicionais dos juniores estão encolhendo.

Reforma Tributária chega à base de contratos

A Reforma Tributária teve espaço dedicado na programação da Fenalaw, e a mensagem se repetiu: o assunto não é só dos tributaristas. Lina Santin, advogada, sócia da Heleno Torres Advogados e especialista em Direito Tributário, resumiu:

“Ao contrário do que muita gente pensa, a Reforma Tributária não é uma reforma exclusivamente de emissão de documento fiscal. Ela vai muito além; ela demanda muitos ajustes e, dentre eles, sem dúvida alguma, a gestão contratual.”

O ponto mais sensível é o crédito tributário, que passa a depender do pagamento do imposto pelo fornecedor. No painel que reuniu representantes do Pinheiro Neto Advogados e da Dasa, foi falado que isso cria risco de perda de crédito quando o fornecedor fica inadimplente, e os contratos privados em vigor não trazem cláusula automática de reequilíbrio econômico-financeiro. 

A recomendação dada foi mapear primeiro os contratos estratégicos, de longo prazo e de alta criticidade operacional, e revisar cinco pontos: preço líquido, responsabilidade pelo crédito, condições de faturamento e prazos, revisão dinâmica e obrigações acessórias.

O contencioso também preocupa. Em painel com Gustavo Brigagão e representantes de Stocche Forbes e Levy & Salomão, a avaliação foi que a promessa de simplificação do sistema tributário não se cumpriu. 

Como o novo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) é um tributo subnacional, o contencioso judicial sobre ele tramita perante os 27 Tribunais de Justiça estaduais. Os especialistas alertaram que essa pulverização julgadora pode gerar decisões divergentes. A saída apontada por eles foi priorizar renegociações e alinhamentos preventivos antes de recorrer ao Judiciário.

Para Lina Santin, o tamanho do acervo é o que torna o desafio difícil. Revisar e aditar contratos legados em volume, com cláusulas de proteção contra fornecedores inadimplentes e regras para o período de transição, não se resolve à mão. “Pensar em fazer todas essas adaptações sem uma ferramenta e na forma manual é basicamente impossível”, disse. 

É aí que entra a gestão inteligente de acordos. O Docusign IAM, plataforma da Docusign para essa finalidade, reúne o ciclo de vida dos contratos em um único ambiente e usa IA para apoiar a análise do acervo, o que permite tratar cláusulas em escala em vez de contrato por contrato.

Gestão de contratos: onde a tecnologia encontra o diferencial humano

A assinatura de um contrato é só o ponto de partida. O contrato precisa ser gerido como um ativo vivo da empresa, o que exige que o Jurídico trabalhe junto com negócio, tecnologia, dados, privacidade, financeiro e operações. 

Um representante da B3 chamou essa abordagem de pensamento integrativo: partir da jornada do produto e do cliente para escrever contratos que funcionem na rotina. O objetivo é evitar um obstáculo frequente: a cláusula juridicamente blindada no papel que falha na execução ou é rejeitada pelas áreas de negócio que precisam aplicá-la.

A B3 apontou também um risco mais discreto: acordos arquivados com variáveis incorretas, que depois ninguém consegue localizar. Nesse caso, a IA entra como apoio para classificar demandas, escolher modelos de contrato e monitorar obrigações, sempre dentro de perguntas, critérios e limites de risco definidos antes por pessoas.

Durante a Fenalaw, Bruno Peixoto, Legal Counsel na Docusign, apresentou o case de uma grande empresa do setor de Food & Beverage, cliente da Docusign, mostrando como isso se traduz na operação. 

O ponto de partida foi o custo da gestão reativa, feita por e-mail e planilha. O histórico se dispersava, as revisões perdiam rastreabilidade, não havia controle de alterações e a análise repetitiva ficava sujeita a falhas humanas. A resposta foi reunir o ciclo de vida dos acordos em um único ambiente, apoiado em três mecanismos:

  • Playbooks de cláusulas: as políticas da empresa viram um conjunto de cláusulas aprovadas e minutas padronizadas, com as regras de negócio parametrizadas na plataforma da Docusign.

  • Primeira revisão automática: a minuta passa por uma verificação contra o playbook antes de chegar à análise do advogado.

  • Assistente de IA no ambiente de redação: integrado ao editor de texto, ajuda a analisar riscos e a traduzir documentos.

O efeito foi uma redistribuição do tempo. Contratos operacionais, de baixo valor, consumiam esforço desproporcional. Com a primeira camada automatizada, os advogados saem das tarefas braçais e se concentram nas negociações estratégicas, de maior valor financeiro. É a lógica da IA vista no início deste artigo: a tecnologia cuida do repetitivo, e o Jurídico deixa de ser centro de custo reativo para atuar como parceiro do negócio.

No entanto, esse ganho tem um limite. Com tantas ferramentas parecidas no mercado, respostas automáticas e padronizadas tendem a nivelar as entregas, risco que o painel com Natura, Sabesp e Mercado Livre chamou de pasteurização. 

Se todos usam as mesmas ferramentas e aceitam a primeira resposta, o que diferencia um Jurídico do outro é o julgamento das pessoas: a análise crítica, a negociação e o conhecimento do negócio, apoiados por uma gestão de acordos que garanta clareza e governança.

Nas três frentes, o recado foi o mesmo: é preciso organizar antes de automatizar. A IA só gera retorno com processos claros e governança, a Reforma Tributária exige saber o que está escrito em cada contrato, e a gestão de acordos é onde as duas necessidades se encontram. Para quem quer dar esse passo, conheça como o Docusign IAM ajuda a gerir o ciclo de vida dos acordos em um único ambiente. 

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Author Fabiana Maranhão
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