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Data-driven law: como os dados podem transformar a prática jurídica

Author Bruno Peixoto
Bruno PeixotoLegal Associate LATAM
ResumoLeitura de 9 min

O Data-driven Law revoluciona a prática jurídica ao substituir a intuição e tarefas manuais por análises de dados e automação, transformando o departamento jurídico de um centro de custos reativo em um parceiro estratégico do negócio. Ao utilizar ferramentas que organizam e interpretam informações com agilidade, os times jurídicos ganham precisão para gerir contratos e colaborar com áreas como compliance e finanças, garantindo decisões mais rápidas e conectadas aos resultados da empresa.

Data-driven law é a prática jurídica baseada em dados concretos e não apenas em análises manuais ou intuição. Escritórios e departamentos jurídicos têm usado ferramentas que organizam, cruzam e interpretam informações para responder com mais agilidade, clareza e embasamento. 

O que antes exigia tempo de leitura e revisão, agora pode ser automatizado com precisão, tornando a atuação jurídica mais conectada ao negócio e menos dependente de processos reativos. A utilização de dados transforma o departamento jurídico, que agora deixa de ser uma área reativa e com custos elevados para trabalhos manuais, para atuar como um parceiro estratégico fundamental para o negócio.

Essa evolução já está presente na rotina de times jurídicos que precisam acompanhar contratos, tomar decisões rápidas e atuar em conjunto com áreas como compliance, finanças e operações. A lógica é simples: com dados organizados, fica mais fácil antecipar riscos, justificar decisões e ganhar previsibilidade.

Por que o uso de dados é essencial na prática jurídica moderna?

Hoje, o jurídico precisa entregar mais do que respostas técnicas. Existe uma expectativa clara por decisões ágeis, sustentadas por evidências e alinhadas aos objetivos estratégicos da empresa. A pressão por produtividade e controle exige soluções que ajudem a prever riscos e reduzir o volume de tarefas manuais.

Além disso, com o aumento do volume contratual e das exigências regulatórias, confiar em planilhas descentralizadas ou arquivos fora de padrão já não é viável. O uso de dados estruturados se tornou uma alternativa para quem precisa ter segurança e clareza sobre compromissos jurídicos e prazos críticos.

Segundo um estudo realizado pela Deloitte, 70% do tempo dos diretores jurídicos (CLOs) é esperado por CEOs e conselhos de administração para ser dedicado ao suporte da estratégia corporativa.  

Neste movimento, o departamento jurídico moderno transcende seu papel tradicional de mitigador de riscos e se posiciona como um verdadeiro centro de valor e estratégia dentro da organização. Essa transformação é evidenciada pela capacidade do jurídico de demonstrar seu valor por meio de métricas tangíveis e que impactam diretamente o resultado financeiro da empresa.

Uma das formas mais evidentes de contribuição é o auxílio na recuperação e preservação de valores. Isso pode se manifestar, por exemplo, na identificação e correção de vazamentos de receita em análises detalhadas de contratos. Muitas vezes, cláusulas mal redigidas, prazos perdidos ou inconsistências contratuais representam perdas financeiras significativas que só uma análise jurídica aprofundada, apoiada em tecnologia, consegue identificar e reverter.

Aplicações práticas do data-driven law

Na rotina jurídica empresarial, o uso de dados começa normalmente pela análise de contratos. Ferramentas especializadas ajudam a localizar cláusulas críticas, sinalizar divergências e gerar alertas automáticos para prazos e obrigações, agilizando a revisão e diminuindo falhas.

Porém, quando pensamos em práticas de data-driven no departamento jurídico, essa prática vai além de olhar isoladamente para dados. O time começa agora a pensar também em KPIs, métricas e extração de relatórios. Essa nova inteligência baseada em dados agora passa a ser fundamental para:

  1. Subsidiar Tomadas de Decisão: O Jurídico deixa de ser um "gargalo" ou um mero "aprovador" e se torna um parceiro de negócios, fornecendo dados e insights preditivos sobre riscos, oportunidades de mercado e performance contratual. Decisões estratégicas de expansão, lançamento de produtos ou parcerias são tomadas com uma base jurídica e factual muito mais sólida.

  2. Gerar Insights Estratégicos: A análise de grandes volumes de contratos, litígios e regulamentações permite ao departamento identificar padrões de risco ou de sucesso. Por exemplo, a análise de dados de contencioso pode revelar a necessidade de treinar equipes de vendas para reduzir futuras disputas, ou a análise de contratos pode apontar quais cláusulas geram mais receita ou mais atrito.

  3. Alinhar Atividades aos Objetivos Organizacionais: O foco em métricas tangíveis (como tempo médio de negociação contratual, redução de revenue leakage, percentual de sucesso em litígios ou custo por processo) garante que o trabalho do departamento Jurídico não seja apenas "legalmente correto", mas sim diretamente alinhado e mensurado em relação aos objetivos organizacionais maiores, como aumento de receita, eficiência operacional ou satisfação do cliente.

Portanto, a adoção de uma cultura data-driven transforma o departamento jurídico em um ativo estratégico que contribui proativamente para a saúde financeira e a governança corporativa, garantindo que o valor que ele entrega seja claramente demonstrável e reconhecido pela alta administração.

Benefícios da prática jurídica orientada por dados

Trabalhar com dados não é apenas uma questão de eficiência, mas de precisão. Quando o time jurídico consegue antecipar tendências com base em informações reais, o impacto nas decisões é imediato. Riscos são identificados mais cedo, pareceres ganham consistência e as respostas chegam mais rápido.

Analisando os principais benefícios que estão na camada mais visível dessa transformação, existem estudos que demonstram como uma cultura data-driven vem ajudando os departamentos jurídicos a trabalhar de forma mais célere, crescendo o ROI das operações, destravando dados para novas estratégias corporativas, e aumentando a eficácia do trabalho jurídico com o uso de soluções suportadas pelo uso de IA.

O resultado desta junção de benefícios é a própria cultura corporativa, em si. Quando se apresenta indicadores, estatísticas e relatórios visuais, o jurídico fortalece seu papel como parceiro estratégico, mostrando não só o que foi feito, mas o motivo daquela decisão fazer sentido no contexto do negócio.

Ferramentas tecnológicas que suportam o uso de dados no Direito

O uso de dados só é possível quando existe uma estrutura organizada desde a criação, até a formalização e o gerenciamento dos contratos. 

Nesta linha, o Docusign eSignature é um aliado essencial para começar. Em um processo simplificado e fácil de usar, os signatários podem preencher os formulários com mais rapidez, o que acelera o fechamento dos negócios e a obtenção de receita. Com o eSignature, é rápido e fácil para os usuários criarem, formalizarem e gerenciarem acordos em qualquer lugar e a qualquer momento. 

Ferramentas como o IAM (Intelligent Agreement Management) ajudam a garantir governança e controle sobre os acordos. Já o Navigator atua como um repositório inteligente que centraliza seus contratos, desbloqueia os dados contidos neles e revela insights usando inteligência artificial.

O Docusign CLM envolve a gestão do ciclo de vida dos contratos. Ele abrange desde a criação até a renovação dos documentos. O CLM oferece insights sobre o desempenho de contratos e KPIs por meio de relatórios visuais, além de fornecer uma visão geral da atividade e tendências dos contratos com relatórios personalizados, gerando análises variadas, como volume de contratos por tipo, valor e duração, entre outros.

Integração de dados jurídicos com áreas estratégicas da empresa

O uso de dados jurídicos não fica restrito ao próprio time. Quando integrados a departamentos como compliance, RH e finanças, esses dados ajudam a criar uma visão mais completa dos riscos envolvidos em cada contrato ou projeto.

Essa troca de informações agiliza análises, evita retrabalho e melhora o alinhamento entre áreas. Com dashboards integrados, o jurídico consegue responder rapidamente a auditorias internas ou demandas regulatórias sem precisar recomeçar a busca por informações a cada solicitação.

Como desenvolver uma cultura data-driven no jurídico

Criar uma cultura orientada por dados começa com a organização da casa. É preciso mapear os fluxos, centralizar os documentos e garantir que as informações estejam acessíveis, atualizadas e categorizadas de forma padronizada.

Com essa base, vale definir indicadores que ajudem a acompanhar a produtividade e a qualidade das entregas jurídicas. Tempo médio de resposta, contratos ativos por área, volume de pareceres por mês ou cláusulas de maior risco são alguns exemplos úteis.

O envolvimento da liderança é essencial. Quando os gestores valorizam o uso de dados e estimulam sua aplicação, a equipe se sente mais segura para abandonar métodos antigos e propor melhorias mais consistentes.

Exemplos práticos de uso do data-driven law

A aplicação de dados estruturados tem permitido que departamentos jurídicos atuem com mais agilidade e previsibilidade. É o caso da Waystone, que adotou o Docusign CLM como parte da sua estratégia de gestão de acordos. 

A ferramenta ajudou a centralizar informações, melhorar a colaboração entre equipes e garantir que documentos críticos fossem revisados e aprovados dentro dos prazos planejados, fortalecendo a confiança dos clientes e acelerando o fechamento de novos negócios.

Outra organização que demonstrou ganhos concretos foi a Bon Voyage Credit Repair, que implementou o IAM para automatizar fluxos de trabalho envolvendo contratos de adesão. 

O resultado foi uma redução significativa no tempo de onboarding, com o processo completo passando a ser concluído em menos de cinco minutos, um ganho direto em produtividade e experiência para o cliente final.

Além disso, a pesquisa global conduzida com a Deloitte mostrou que empresas que investem na gestão inteligente de acordos conseguem capturar até 80% mais valor ao longo do ciclo contratual. Isso reforça o papel estratégico dos dados — quando bem organizados — na tomada de decisões jurídicas e operacionais.

Esses exemplos mostram que dados bem tratados mudam não só a produtividade, mas a maneira como o jurídico é percebido dentro da empresa.

Primeiros passos para advogados data-driven

Começar é mais simples do que parece. O primeiro passo é organizar a base de documentos existente. Ter clareza sobre os contratos ativos, os prazos envolvidos e onde cada informação está guardada já muda a forma de trabalhar.

Depois, a adoção de ferramentas como CLM, IAM ou relatórios automatizados pode ser feita gradualmente, de acordo com a maturidade do time. A capacitação para interpretar esses dados é o que garante que as ferramentas sejam realmente úteis.

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Author Bruno Peixoto
Bruno PeixotoLegal Associate LATAM

Advogado da Docusign para Brasil e HLA. Após anos de experiência em leading companies no setor de tecnologia com atuação em negociações de contratos, proteção de dados e cibersegurança, hoje aplico essa experiência para apoiar a Docusign em diversas frentes na evolução de seus negócios.

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