
Como classificar contratos com critérios objetivos e governança auditável
Times jurídicos e de compras lidam com cópias em e-mail, pastas pessoais, nomenclaturas inconsistentes e metadados ausentes, num cenário que trava auditorias e amplia o risco operacional: aí mora a necessidade de classificação dos contratos.

A classificação de contratos é o passo que destrava auditorias e reduz o risco operacional. Com critérios objetivos, metadados padronizados e responsáveis definidos, você transforma um repositório caótico numa carteira navegável, auditável e priorizada pelo que realmente importa.
Este guia apresenta a definição de classificação de contratos, os critérios práticos, o porquê estratégico e o caminho para construir um modelo escalável. No fim, você vê como a plataforma Docusign IAM aplica esses princípios.
O que é classificação de contratos?
Classificação de contratos é a organização sistemática dos acordos da empresa segundo critérios predefinidos:
tipo;
criticidade;
natureza jurídica;
prazo;
área responsável.
Enquanto o acordo representa qualquer compromisso bilateral entre duas ou mais partes, o contrato é a categoria formal e típica, que exige oferta, aceitação e obrigações jurídicas definidas.
Na prática, ao classificá-los, a equipe ganha previsibilidade e passa a priorizar o esforço nos elementos em que o risco e o valor estratégico realmente se concentram.
Critérios de classificação dos contratos
Um modelo de classificação robusto combina critérios complementares. A seguir, veja os cinco mais usados por equipes jurídicas e de compras.
Tipo contratual
O tipo descreve a natureza funcional do acordo. Conheça os mais comuns nas empresa.
Contratos de compra: aquisição de bens e serviços (MSAs, ordens de compra e contratos de fornecimento);
Contratos de serviços: prestação de serviços profissionais, consultorias e terceirizações;
NDAs (Non-Disclosure Agreements): acordos de confidencialidade, bilaterais ou unilaterais;
Contratos trabalhistas: CLT, PJ, estágio e aprendizagem;
Contratos de locação: imóveis, equipamentos e frota;
Contratos de parceria: joint ventures, distribuição e representação comercial;
DPAs (Data Processing Agreements): tratamento de dados pessoais sob a LGPD.
Criticidade
A criticidade pondera valor financeiro, risco jurídico e relevância estratégica. Uma escala simples, dividida entre alta, média e baixa, já é suficiente para começar.
Para isso, use parâmetros objetivos para identificar os contratos que tendem a entrar como críticos:
contratos acima de determinado valor;
contratos com cláusulas de exclusividade;
contratos com fornecedores estratégicos;
contratos que toquem dados pessoais sensíveis.
A criticidade define a profundidade de revisão e o SLA de análise. Um NDA padrão de baixa criticidade pode ter revisão expressa, enquanto um MSA estratégico exige revisão completa, com playbook específico.
Natureza jurídica
Critério clássico do Código Civil, a natureza jurídica define o regime aplicável.
Oneroso ou gratuito: há contraprestação econômica ou não;
Bilateral ou unilateral: obrigações de ambas as partes ou só de uma;
Comutativo ou aleatório: prestações certas ou sujeitas a evento futuro;
Típico ou atípico: previsto em lei ou construído por autonomia das partes.
Prazo
O prazo organiza o monitoramento de vencimentos e renovações.
Prazo determinado: encerra em data específica;
Prazo indeterminado: vigora até denúncia formal;
Com renovação automática: exige alerta antecipado para decisão de manter ou rescindir.
Contratos com renovação automática são especialmente sensíveis, já que, sem alerta antecipado, viram custo recorrente sem revisão.
Área responsável
Sem setor responsável claro, contratos se acumulam em zonas cinzentas. A área deve combinar com SLAs de análise. Contratos de compras com fornecedores estratégicos seguem um fluxo, contratos trabalhistas, outro, e NDAs comerciais, outro.
Por que classificar contratos?
Três motivos sustentam o investimento no esforço de classificação.
Governança: sem classificação, não há governança contratual mensurável. Você não sabe quantos contratos estão ativos, qual o valor sob gestão, quais áreas concentram risco ou quais cláusulas se repetem. A categorização é a infraestrutura mínima para gerar relatórios, KPIs e visão executiva sobre a carteira;
Auditoria: sem metadados classificados, a busca vira escavação manual em pastas, um processo caro, lento e impreciso;
Priorização de revisões: times jurídicos enxutos não conseguem revisar tudo com a mesma profundidade. A criticidade no metadado permite direcionar o esforço para o que importa, como contratos estratégicos, de alto valor ou de alto risco, e padronizar o resto com templates e revisão assistida.
Como criar um modelo escalável de classificação?
São quatro os elementos que sustentam um modelo escalável de classificação. Os metadados obrigatórios padronizam as informações de todo contrato, exigindo o mesmo conjunto mínimo de informações, como tipo, partes, valor e criticidade.
O tagging consistente adiciona dimensões cruzáveis a esses metadados, sempre com vocabulário controlado para evitar duplicidade. Os responsáveis definidos estabelecem a propriedade, revisão e aprovação de cada contrato, mitigando o risco de decisões ficarem órfãs.
Por fim, os SLAs de análise fixam prazos por combinação de tipo e de criticidade, permitindo que os marcadores se traduzam em ritmo operacional constante. Cada um é detalhado a seguir.
1. Metadados obrigatórios
Defina o conjunto mínimo de campos que todo contrato precisa carregar. Confira um exemplo inicial.
Metadado | Exemplo |
Tipo | NDA, MSA e contrato de locação |
Parte contratante | Nome da contraparte |
Valor | R$ 250 mil |
Criticidade | Alta, média ou baixa |
Data de início | 12/03/2026 |
Data de término | 11/03/2028 |
Renovação automática | Sim, com aviso prévio de 60 dias |
Área responsável | Jurídico, Compras ou RH |
Owner interno | Nome do responsável |
2. Tagging consistente
Tags adicionam dimensões cruzáveis aos metadados, por exemplo: "LGPD", "fornecedor estratégico", "cláusula de exclusividade", "internacional".
Mantenha um vocabulário controlado, com lista oficial de tags aprovadas, para evitar proliferação de variantes ("LGPD", "lgpd", "Lei Geral").
3. Responsáveis definidos
Cada contrato tem um owner, cada tipo de contrato tem um responsável pela revisão e cada criticidade tem um aprovador. Sem seguir essa matriz, as decisões ficam órfãs e prazos escapam.
4. SLAs de análise
Defina tempos máximos por combinação de tipo e criticidade.
NDA padrão, baixa criticidade: 1 dia útil;
MSA com fornecedor recorrente, média criticidade: 5 dias úteis;
Contrato estratégico, alta criticidade: 15 dias úteis, com aprovação executiva.
SLAs claros transformam classificação em operação. É preciso que esse marcador acione um fluxo diferente.
Como o Docusign IAM automatiza a classificação de contratos
A aplicação manual desse modelo em planilhas não sustenta a escala do negócio. A consolidação dessa governança exige uma infraestrutura tecnológica centralizada e inteligente.
A plataforma Docusign IAM (Intelligent Agreement Management) orquestra a classificação contratual de ponta a ponta. Impulsionada pelo motor de inteligência artificial corporativa, o Docusign Iris, a sua empresa transforma contratos não estruturados em uma base de dados governável e dinâmica.
Na prática, o ecossistema automatiza os pilares da classificação:
Geração com metadados estruturados: Ao centralizar pedidos e aprovações no hub colaborativo Agreement Desk, os metadados (como tipo, partes e valor) já entram preenchidos e padronizados desde o primeiro momento, reduzindo drasticamente o retrabalho.
Orquestração baseada em criticidade: Para que as tags e classificações reflitam o ritmo da operação, o recurso Workflow Builder cria fluxos personalizados sem código (no-code). Contratos de alta criticidade são roteados para aprovações executivas automaticamente, respeitando os SLAs definidos pela sua equipe.
Repositório inteligente e extração via IA: Com o Agreement Manager,o sistema analisa o documento, identifica cláusulas-chave — como rescisão, exclusividade e prazos de renovação — e popula os metadados de forma automática. Com isso, os líderes jurídicos filtram e governam toda a carteira por critérios cruzados em segundos.
Com a formalização integrada por meio da assinatura eletrônica — totalmente válida no Brasil (conforme a MP 2.200-2/2001 e a Lei 14.063/2020) —, a operação se torna muito mais ágil. O impacto direto é a mitigação dos riscos e a construção de um acervo contratual preparado para as auditorias mais rigorosas.
Perguntas frequentes
Classificação de contratos é trabalho do jurídico ou da área de negócio?
A classificação é compartilhada. O jurídico define a taxonomia, os critérios de criticidade e os SLAs de análise. As áreas de negócio (compras, RH, vendas) atuam como owners de cada contrato e respondem pelo preenchimento dos metadados no momento da geração.
Como começar a classificação em uma empresa que tem milhares de contratos espalhados?
Defina o conjunto mínimo de metadados obrigatórios que todo contrato precisará carregar, como tipo, partes, valor, criticidade e datas. Em seguida, centralize os documentos em um repositório único e aplique a classificação primeiro aos contratos críticos e de maior valor, antes de avançar para os demais.
Com que frequência a classificação de contratos deve ser revisada?
Recomenda-se uma revisão anual da estrutura de tipos, tags e critérios de criticidade, ajustando o modelo conforme novos tipos de contrato entram na carteira ou mudanças regulatórias. Já a classificação individual de cada contrato deve ser revisitada em eventos como aditivos, renovações ou mudança de criticidade da contraparte.
Classificação de contratos substitui a leitura completa do documento?
Não. A classificação organiza, prioriza e dá visibilidade sobre a carteira, atuando como um complemento estratégico à análise jurídica do conteúdo. Contratos críticos recebem revisão completa por advogado, enquanto contratos padronizados seguem para revisão assistida por IA, com supervisão pontual.

Diretora de Marketing especialista em transformar visão de negócio em resultados mensuráveis. Lidera estratégias de comunicação integrada e crescimento (orgânico e pago), unindo gestão de marca à alta performance em geração de demanda. E uma grande entusiasta da gestão inteligente de acordos.
Publicações relacionadas
Docusign IAM é a plataforma de acordos que sua empresa precisa para o sucesso



